Os adolescentes trazem em seus relatos muito sofrimento diante das freqüentes discussões que estabelecem com seus pais neste período de vida. Eles se queixam da invasão de privacidade, da autoridade, do excesso de preocupação com as drogas, sexualidade e liberdade, outros reclamam da omissão de seus pais que parecem ser permissivos, não se importando com eles.
Comentam sobre as mudanças na qualidade da relação que antes havia quando eram crianças, remetem-se ao sentimento de perda e a certo afastamento, seja afetivo ou físico.
Os pais, antes idealizados, passam a ser, aparentemente, figuras odiadas, desvalorizadas, com quem estabelecem os mais intensos confrontos. No entanto, estes sentimentos de raiva e ódio revelam a curiosa faceta da necessidade do adolescente de se diferenciar para adquirir sua própria identidade.
Esse movimento, proporcionado pelas brigas, tem como fundo, o grande mal-entendido proposto pela tarefa da educação, que visa o respeito às regras sociais e a aquisição de autonomia. Para tanto, são necessários a separação e um posicionamento e até mesmo uma contraposição perante os referenciais parentais para que ocupe um lugar.
A adolescência é uma criação da cultura, diz de um período de vida em que o sujeito refaz e reedita suas crenças, seus valores e seus modelos. Para que isso aconteça, o adolescente busca novos paradigmas em outros grupos, que não o familiar.
Os modelos lhe servirão para “testar” novas formas de existência. Assim, o jovem ingressa em grupos com crenças e códigos próprios, como os emos, os nerds, os góticos, os populares, os rebeldes, etc. Em alguns casos, esta situação pode parecer caricata e exagerada, tamanha a necessidade de diferenciação de alguns. Porém, esses grupos são funcionais, permitem a identificação com outros ideais e valores e proporcionam o sentimento de pertencimento no mundo afora.
Aos pais é importante saber que é um momento bastante delicado, mas extremamente necessário, para que o filho se torne um adulto com opiniões e pensamentos que lhe sejam próprios.
Para muitos pais é um período de intensa angústia, pois o adolescente pode ser bastante ativo no seu desejo de adquirir autonomia. Os questionamentos são freqüentes, há um conflito dos pais que querem que o filho cresça, ao mesmo tempo, em que temem as conseqüências da autonomia. Muitos pais se sentem atacados e de fato desvalorizados e sofrem pelo sentimento de que não são mais os “heróis” e “heroínas” de sua prole.
É imprescindível saber dosar e escutar o que esta fase representa, tanto para o adolescente como para os pais. A turbulência pode cegar e ensurdecer aqueles que não estão atentos, assim toda a roupagem vestida pelo adolescente pode desviar a atenção dos pais para a verdadeira razão da existência dela, que é de possibilitar um grande crescimento diante do questionamento daquilo que foi transmitindo. Há o confronto com os referenciais, pois estes existem. Questionar não significa que não tenham valor, mesmo que o adolescente diga isso.

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